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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Acorde maior-menor

Hoje proponho-me a abordar o primeiro acorde da escala menor, o acorde maior-menor.
 
Antes de começar, queria relembrar que já aqui foi dito que os acordes de 7ª menor funcionam na generalidade como um acorde II.
 
Um acorde de 7ª maior-menor funciona como um acorde menor I - também chamado de acorde menor tónico.
 
Este acorde é frequentemente usado como substituto para os acordes de 7ª menor. No entanto, há que ter algum cuidado; esta substituição só pode ser feita quando o acorde II não faz parte de uma progressão II-V. Outra excepção a ter em conta prende-se com o facto de não podermos fazer a substituição quando a 7ª menor faz parte da melodia.
 
Para terminar, há a dizer que esta substituição não é, de todo, obrigatória. Dá apenas um toque diferente, e não deve ser sobreutilizada.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Learn the changes and then forget them

Foi Charlie "Bird" Parker que proferiu esta célebre frase que, em jeitos de tradução livre quererá dizer qualquer coisa como; Aprende as mudanças e depois esquece-as.
 
Isto para mim era um simples pensamento engraçado até aparecer um tema onde esta máxima foi posta em prática, ainda que inadvertidamente.
 
Corria o tema Take the A Train. Já tinha dado uma vista de olhos aos acordes e às mudanças e estava alegremente a improvisar quando a determinada altura, apercebo-me que já não estou a prestar atenção aos acordes. Os movimentos do tema eram-me tão naturais que, quando estava a improvisar, não estava a pensar em que nota tinha que cair ou qual o acorde onde estava... era eu, simplesmente a tocar aquele tema.
 
Senti uma liberdade na minha improvisação que até então não tinha sentido. Estava apenas preocupado em fazer sentido no que estava a tocar.
 
A partir deste dia, percebi realmente o que ele queria dizer com isto e resta-me terminar com uma conclusão deveras óbvia: Charlie Bird tinha razão.
 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Modo Aeólio

Temos hoje mais um post sobre a nossa jornada teórica e para hoje, o tema escolhido é o modo Aeólio.
 
Este modo é frequentemente referido como escala menor natural. Não obstante, é um modo utilizado muito raramente e não há um grande consenso na sua utilização.
 
Como este modo corresponde ao 6º modo de uma escala maior, este pode ser utilizado numa progressão diatónica normal como por exemplo III-VI-II-V.
 
No entanto, mesmo nesta progressão, na grande maioria das vezes, o VI é tocado como acorde dominante, ficando qq coisa do estilo Em7|A7|Dm7|G7.
 
Esta abordagem abre muito mais portas no que respeita à improvisação pois ficamos com muitas opções de alterarmos notas (b9, alt, #9, #11 e por aí adiante).
 
Para terminar, pode afirmar-se que é adequado tocarmos o modo aeólio quando alteramos a 5ª de um acorde ficando com o seguinte exemplo válido Am(b6).
 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Modo Frígio e o acorde sus(b9)

Se olharmos para a tabela de modos, era suposto identificarmos o modo frígio quando encontramos um acorde do tipo IIIm7.
 
A relembrar, definimos o modo frígio como sendo:
III- Frígio = 1 b2 b3  4  5 b6 b7
 
No entanto, apesar de estar correcto, não é usual fazê-lo. A nota b6 soa bastante dissonante logo, tanto o acorde como a nota em questão só são abordados em progressões diatónicas (III-VI-II-V). E mesmo esta progressão é muitas vezes reharmonizada logo, este modo é mais utilizado em acordes do tipo sus(b9).
 
Este tipo de acorde traz-nos uma abordagem um pouco diferente daquela que temos abordado anteriormente. Vimos que nos acordes II, V, I as notas mais importantes são a 3ª e a 7ª.
 
Neste tipo de acorde sus(b9) no entanto, as notas mais tocadas e relevantes são a root, b9, 4, 5 e 7.
 
Para os mais distraídos, a definição da nota 9 está aqui.
 
Este acorde é relativamente novo na harmonia do Jazz. Duke Ellington já o tinha usado nos anos 20, mas só nos anos 60, com Coltrane, Shorter e outros é que o popularizaram.
 
Este acorde, tal como os outros acordes do tipo sus, funcionam como acordes dominantes, do tipo V, como tal, tendem para uma resolução para uma 5ª abaixo.
 
Por agora, ficamo-nos por aqui com este acorde no entanto, deixo-vos com duas outras características que serão abordadas mais à frente:
- Este acorde é frequentemente utilizado para substituir outros acordes sus, acordes dominantes e mesmo progressões ii-V
- Existe uma outra escala que podemos tocar sobre este acorde

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

I-II-III-IV

Mais uma progressão para a coleção. (Que poeta)
 
Esta progressão é utilizada frequentemente quando temos muito tempo com o mesmo acorde, tipicamente, 2 ou mais compassos.
 
Se aplicarmos esta progressão quando estamos em C7M, ficamos com algo do género:
C7M|D-7|E-7|F7M
 
Se fizermos este movimento ascendente e descendente, conferimos mais movimento ao solo e não precisamos de ficar presos ao acorde de C.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

III-VI-II-V

Esta progressão (Ex: E-7|A-7|D-7|G7) é também uma variação usual da progressão I-VI-II-V. É muito usada em turnarounds.
Um turnaround, de uma forma simplista, é um mecanismo usado que sugere que o tema vai voltar ao início.

Ainda não abordei o modo Frígio, mas o discurso acaba por ser semelhante ao apresentado do modo Aeóleo

Também se pode reharmonizar esta progressão ficando neste caso com a seguinte cifra para o exemplo apresentado: E7(#9)| A7 | D7(#9) | G7

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

I-VI-II-V

Outra das progressões que é frequente encontrarmos é a progressão I-VI-II-V. (Ex: C7M|A-7|D-7|G7)

Para improvisarmos sobre esta progressão, deveremos usar respectivamente, os modos Jónio, Aeóleo, Dórico e Mixolídeo.

Sei que ainda não abordei o modo Aeóleo como abordei os modos Dórico e Mixólideo no entanto, vocês podem tentar fazê-lo. Ele já foi introduzido aqui, pode ser a vossa base de trabalho.

Uma das características que salta à vista é que o acorde que caracteriza o modo Aeóleo é igual ao do Dórico. Não obstante, a sua escala não é a mesma e, por outros motivos que ficarão claros no futuro, não podemos utilizar a mesma fórmula para ambos os acordes por serem modos diferentes.

Estas diferenças ficarão claras no futuro. Por agora, a curiosidade que posso referir é que, nos dias de hoje, é permitido substituir o acorde A-7 por A7.

Para quê complicar? Se tiverem a oportunidade de testar o que foi dito no teclado, vai ficar claro o porquê: é uma passagem que tem muito mais cor, mais interessante, oferece um maior sentido de resolução para o acorde Dórico (II). Adicionalmente, existem muitas mais opções de alteração de acordes dominantes do que o presente.

Naturalmente, também existe uma explicação teórica para tal facto no entanto, não me quero alongar muito sobre o assunto sob pena de tornar o post demasiado longo, sem necessidade. Para os mais curiosos, e para saberem por onde pesquisar sobre este tema, fiquem com a informação de que A-7 (VI) é uma inversão do acorde C6 (I). Mais uma vez, temos aqui a brincadeira do círculo de 5ªs. Podem verificar que A é vizinho de D no círculo. Esta premissa é válida em muitas progressões utilizadas.

Bom estudo.

sábado, 10 de setembro de 2011

V of V

Apesar da progressão II-V-I ser de longe, a mais usada, existem também outras que são comuns.

Uma delas é a V of V.

Esta progressão caracteriza-se por ser uma série de acordes dominantes sucessivos e que, como o próprio nome indica, estão relacionados por serem o acorde V do tom seguinte.

Esta característica permite mais uma vez verificar que o círculo de 5ªs está patente nesta progressão.

Para improvisar sobre esta progressão, é só utilizar o modo mixolídeo em cada um dos acordes.

Exemplo:
C7|F7|Bb7|Eb7

Análise:
C7 é o acorde V de F;
F7 é o acorde V de Bb;
Bb7 é o acorde V de Eb.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

II-V-I

Muito bem,

após a "cházáda" sobre intervalos, tríades, escalas e modos (especificamente o modo Jónio, Dórico e Mixolídeo), penso que já estamos preparados para falar sobre a progressão (sequência de acordes) mais utilizada no jazz, a progressão II-V-I.

Espero que já tenham reparado que o II é o modo Dórico, o V é o modo Mixolídeo e o I é o modo Jónio. ;)

Qualquer standard de Jazz que se preze, estará 99% das vezes, impregnado com estes movimentos.

Mesmo que existam outros acordes esquisitos envolvidos, havemos de chegar a uma altura em que percebemos que eventualmente, essa cifra esquisita serve apenas como apoio para reforçar a ideia ou sugerir alguma coisa. Mas a base, essa estará muitas vezes acente nesta progressão.

Exemplo de II-V-I
D-7|G7|C7M

Analisando a sequência em cima, temos:
- Ré Dórico (II)
- Sol Mixolídeo (V)
- Dó Jónio (I)
Portanto, se virmos esta sequência, significa que podemos andar a varrer a escala de Dó Maior à vontade que estaremos sempre dentro do tom.

Bom... à vontade, vontadinha não será, temos que ter atenção que há notas que resultam melhores que outras e a seu tempo, abordaremos esse ponto.

De qualquer forma, o que disse não é inválido, podemos de facto tocar todas as notas da escala de Dó maior.

A merda toda é que nem sempre a progressão II-V-I aparece completa!
Filhos da mãe!! Era queimá-los a todos!!

Pois é, por vezes pode aparecer apenas II-V ou V-I. De qualquer forma, tudo o que disse permanece válido.

Exemplo:
D-7|G7|G-7|C7|C-7|F7|Bb7M
Analisando a sequência em cima temos:
- Ré Dórico (II)
- Sol Mixolideo (V)
- Sol Dórico (II)
- Dó Mixolídeo (V)
- Dó Dórico (II)
- Fá Mixolideo (V)
- Si bemol Jónio (I)

Portanto, neste caso, podíamos no 1º II-V, varrer a escala de Dó Maior, no 2º II-V, improvisar em Fá Maior e finalmente, improvisar em Si bemol Maior.

Para finalizar, uma dica:
Apesar do que escrevi acima ser completamente verdadeiro, e de ser muito importante perceberem o que estão a tocar, devem também perceber que não é muito prático estar a fazer este raciocínio em tempo real pelo que, é muito mais rápido e eficaz se souberem bem os modos. E esta foi uma das minhas grandes batalhas que tive para mudar a minha cabeça clássica para jazzer:

Cabeça clássica
II-7 -> Modo Dórico -> Qual é o grau I? -> improvisa na tonalidade de I Maior
V7 -> Modo Mixolideo -> Qual é o grau I? -> improvisa na tonalidade de I Maior

Cabeça Jazzer
II-7 -> Modo Dórico -> Improvisa com b3 e b7
V7 -> Modo Mixolideo -> Improvisa com b7