domingo, 6 de maio de 2012

Modo Lócrio e acorde semi-diminuto

Para terminar este capítulo sobre a Harmonia de escalas maiores, vou-vos apresentar o único modo da escala maior que não tem uma 5ª perfeita, daí o acorde resultante VIIm7(b5).
 
Uma das características deste modo é que a nota b9 deve ser considerada como nota a evitar ou seja, nota a utilizar com muito cuidado, tipicamente apenas como nota de passagem sem grande ênfase.
 
Este modo pode ser substituído pela escala menor harmónica, são ambos válidos.
 
Existe também um modo na escala menor melódica que não tem notas a evitar, mas já veremos.
 
Por agora, encerramos o capítulo sobre Harmonia de escalas maiores e vamos passar para a harmonia das escalas menores.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sax Masters - Paquito D'Rivera

O mestre que vos vou mostrar hoje obriga-me a dizer: "Quando for grande quero ser assim!".
 
Desengane-se aquele que pensa que este senhor se trata de mais um mestre do Jazz puro e duro. Este é um senhor que se notabilizou num estilo muito próprio de Jazz, o Latin Jazz.
 
Os sons do caribe permitem que este senhor espalhe magia sempre que toca, usando linhas melódicas com uma coesão e duração extraordinárias. Parece que está a construir um grande e belo discurso e sempre com uma descontração que apetece mandar chapadas.
 
O vídeo de hoje não é de todo, representativo da monstruosidade que é o Paquito mas tive que escolher este para vocês perceberem a descontração e felicidade com que este tipo de gente do caribe toca este tipo de música.
 
Analisem só a cara do pianista enquanto toca algo que, pelo menos a mim, parece-me complicado...não sei... esse senhor é também outro estúpido da merda, Michel Camilo.
 
Se alguma vez era preciso tocar tanto... enfim! (suspiro)
 
Divirtam-se!
 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Modo Aeólio

Temos hoje mais um post sobre a nossa jornada teórica e para hoje, o tema escolhido é o modo Aeólio.
 
Este modo é frequentemente referido como escala menor natural. Não obstante, é um modo utilizado muito raramente e não há um grande consenso na sua utilização.
 
Como este modo corresponde ao 6º modo de uma escala maior, este pode ser utilizado numa progressão diatónica normal como por exemplo III-VI-II-V.
 
No entanto, mesmo nesta progressão, na grande maioria das vezes, o VI é tocado como acorde dominante, ficando qq coisa do estilo Em7|A7|Dm7|G7.
 
Esta abordagem abre muito mais portas no que respeita à improvisação pois ficamos com muitas opções de alterarmos notas (b9, alt, #9, #11 e por aí adiante).
 
Para terminar, pode afirmar-se que é adequado tocarmos o modo aeólio quando alteramos a 5ª de um acorde ficando com o seguinte exemplo válido Am(b6).
 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sax Masters - Dexter Gordon

Vou iniciar uma espécie de rúbrica no blog para vos falar nos nomes que por algum motivo ou outro me chamaram a atenção e merecem a minha referência por de alguma forma se aproximarem do meu imenso talento. :p
 
Devo já adiantar que, para quem anda nestas andanças, dificilmente encontrará aqui algum nome que não tenha já ouvido. Para além de ser péssimo com nomes, a história não é de todo o meu forte.
 
No entanto, pode ser que consiga nalgum destes posts, referir alguém que ainda não conheçam e para os que estão a iniciar, será certamente uma rúbrica interessante.
 
Não vou aqui expor biografias nem nada que se pareça, há muita coisa na net sobre eles e os mais curiosos poderão avançar a partir daqui. Esta rúbrica apenas identificará os nomes acompanhados de algum som que por aí ande.
 
Para a primeira rúbrica, escolhi o master Dexter Gordon. Este tipo detém o meu troféu de melhor timbre de sax no mundo do Jazz. Para além disso, os seus solos são completamente hipnotizantes. Ele consegue desenvolver ideias e linhas melódicas como poucos.
 
Os álbuns que mais ouço dele e que recomendo vivamente são:
 
Daddy plays the horn
Go!
 
Lá vai ele em Blue Bossa. Enjoy!
 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Modo Frígio e o acorde sus(b9)

Se olharmos para a tabela de modos, era suposto identificarmos o modo frígio quando encontramos um acorde do tipo IIIm7.
 
A relembrar, definimos o modo frígio como sendo:
III- Frígio = 1 b2 b3  4  5 b6 b7
 
No entanto, apesar de estar correcto, não é usual fazê-lo. A nota b6 soa bastante dissonante logo, tanto o acorde como a nota em questão só são abordados em progressões diatónicas (III-VI-II-V). E mesmo esta progressão é muitas vezes reharmonizada logo, este modo é mais utilizado em acordes do tipo sus(b9).
 
Este tipo de acorde traz-nos uma abordagem um pouco diferente daquela que temos abordado anteriormente. Vimos que nos acordes II, V, I as notas mais importantes são a 3ª e a 7ª.
 
Neste tipo de acorde sus(b9) no entanto, as notas mais tocadas e relevantes são a root, b9, 4, 5 e 7.
 
Para os mais distraídos, a definição da nota 9 está aqui.
 
Este acorde é relativamente novo na harmonia do Jazz. Duke Ellington já o tinha usado nos anos 20, mas só nos anos 60, com Coltrane, Shorter e outros é que o popularizaram.
 
Este acorde, tal como os outros acordes do tipo sus, funcionam como acordes dominantes, do tipo V, como tal, tendem para uma resolução para uma 5ª abaixo.
 
Por agora, ficamo-nos por aqui com este acorde no entanto, deixo-vos com duas outras características que serão abordadas mais à frente:
- Este acorde é frequentemente utilizado para substituir outros acordes sus, acordes dominantes e mesmo progressões ii-V
- Existe uma outra escala que podemos tocar sobre este acorde

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O modo Mixolídio e o acorde sus

Não sei se já abordei o acorde sus ou não. De uma forma simplista, a tríade de um Csus é composta pelas notas C,F e G. Ou seja, há uma substituição da 3ª pela 4ª nota.
 
Sus vem de suspenso e se tocarem esta tríade num piano, vão perceber do que estamos a falar. É um acorde muito tenso que anseia por resolução rápida.
 
Ora bem, voltando ao título do post, é de referir que sobre acordes sus normalmente toca-se o modo Mixolídio. A única diferença aqui reside no facto da 4ª não soar a nota evitada, uma vez que esta faz parte do acorde.
 
Os acordes suspensos funcionam como acordes V ou seja, dominantes.
 
Alguns exemplos de acordes suspensos:
- G7sus - G, C, D, F
- F7M/G - G, F, A, C, E
- Dm7/G - G, D, F, A, C
 
Em breve falaremos dos exemplos de acordes que têm uma barra.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Wannabe-Jazzer - Fly me to the Moon

Bom, tenho a certeza que já têm saudades de me ouvir :p
 
Segue aqui uma gravação de um tema que nunca tinha tocado. Foi a primeira vez que olhei para ele.
 
Algumas notas:
- Não liguem aos ataques, mando ali umas pranchadas valentes mas é porque ainda estou a habituar-me a uma boquilha metálica muito sensível, ainda não a domei. :p
 
- O tema é fácil, lento e extremamente intuitivo, pelo menos para mim. Não obstante, não posso deixar realçar que o estudo vale realmente a pena. Já começo a notar uma destreza muito grande a identificar as progressões e a conseguir ligar as mudanças de tom. Muito positivo.
 
Espero que gostem.
 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O modo Lídio e o acorde 7M(#4)

Iniciamos então esta jornada sobre a harmonia de escalas maiores por falar de uma das substituições mais frequentes nos acordes maiores de 7.
 
O modo Lídio pode ser tocado em quase todos os acordes maiores de 7ª. Ou seja, a título de exemplo, podemos quase sempre substituir um acorde C7M por C7M(#4) - tocar Dó Lídio em vez de Dó Jónio. Cria um efeito moderno quando se toca o F# e evita-se a nota evitada F, passe a redundância. :)
 
Este acorde é visto como um acorde moderno.
 
A título de evolução histórica, os músicos pré-bebop já utilizavam a 4ª em acordes dominantes, mas apenas como nota de passagem. Os músicos do bebop passaram a alterar esta nota mas apenas em acordes dominantes. No entanto, atenção que esta alteração em acordes dominantes faz com que o acorde em causa deixe de pertencer a uma escala maior, ficando a pertencer a uma escala menor melódica (abordada num futuro post).
 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Notas a evitar

Bom, antes de começarmos com a harmonia das escalas maiores propriamente ditas, ainda há um conceito a abordar e nada melhor do que começar o post por dizer que o termo é algo infeliz. Esta infelicidade é defendida pelo meu amigo Mark e, pelo decorrer do posto, também vão perceber que o é.
 
A melhor maneira de definirmos estas notas será notas a utilizar com cuidado.
 
Estas notas podem ser utilizadas como notas de passagem, o que se deve evitar é enfatizá-las em determinados contextos.
 
As notas a evitar criam tipicamente uma dissonância muito grande, o que pode ser indesejável à ideia que estamos a construir.
 
No entanto, as dissonâncias, quando utilizadas correctamente, não são propriamente más. Podem inclusivamente, trazer muito interesse ao solo pois criam uma tensão muito grande, quebram a monotonia e fornecem energia ao solo.
 
Um simples exemplo de uma nota a evitar é a 4ª nota quando tocamos um acorde maior. Experimentem tocar um acorde de C Maior, e tentar desenvolver uma ideia dentro desse acorde e enfatizem a nota F. Vão ver que cria uma dissonância muito estranha. No entanto, se passarem por ela e resolverem para a 3ª, vão ver que afinal não se passa nada de mais.
 
Se por outro lado, estivermos a tocar fora (conceito explorado mais à frente), então provavelmente, esta nota será a mais interessante para tocar.
 
Na evolução do Jazz, esta nota era evitada pelos músicos pré-bebop, ou era utilizada apenas como nota de passagem.
 
Os pioneiros do bebop por sua vez, subiam esta 4 em meio tom, originando #4 ou #11 ou seja, tocavam o modo Lídio em substituição do modo Jónio.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Harmonia de Escalas Maiores

No que respeita à vertente teórica do blog, vamos começar uma jornada sobre a harmonia de Escalas Maiores.
 
A título de introdução, vamos tecer algumas considerações.
 
Primeiro devemos estar conscientes que num determinado acorde, podemos tocar várias escalas ou modos. Já falámos em algumas, mas vamos relembrar as escolhas mais básicas
 
- Jónio: I7M
- Dórico: IIm7
- Frígio: IIIsus(b9)
- Lídio: IV7M(#4) ou IV7M(#11)
- Mixolídio: V7
- Aeólio:VIm(b6)
- Lócrio: VIIm7(b5)
- Mixolídio: Vsus
 
Para terminar esta introdução, lanço a seguinte questão: Se todos aqueles acordes pertencem à escala de C Maior, porquê pensar em modos e não apenas na escala onde as progressões se encontram?
 
Por causa das notas a evitar. Este tema será abordado no próximo post.